Há anos que desejava ter um cão. O homem não se chegava à frente de forma nenhuma e, de certa maneira, acabei por lhe dar razão. Não tínhamos vida para ter um cão por muito que isso me custasse. Entretanto passaram anos, a nossa vida mudou e acabámos por ter mais tempo disponível. Maridão fez uma surpresa e comprou um cão à menina! Ninguém me perguntou mas eu respondo já: não, não adoptei porque, felizmente, vivo num país que preza o bom trato dos animais e que condena todas as atrocidades que eventualmente são cometidas contra os mesmos. Há, portanto, muito poucos animais para adopção e os que há não são despejados no colo de quem os queira adoptar. É um processo moroso e minucioso. Há alguns anos um imbecil lembrou-se de deixar no mato uma gata grávida! Sabem o que lhe aconteceu? Para além de ter de pagar uma multa altíssima nunca mais lhe será permitido ter um animal de estimação. Sinto orgulho em viver num país assim. Sinto orgulho de me ser permitido levar o meu cão para todo o lado comigo. Bancos, lojas, correio, médico, centros comerciais... Quase todos os lugares permitem animais! E as pessoas têm, normalmente, um senso de responsabilidade brutal. TODA a gente apanha os dejectos dos seus cães na rua!
Fui buscar o meu cão há cerca de 4 meses e desde então tenho sido uma pessoa muito mais feliz. Confesso que estava preparada para tudo. Mobílias novas roídas, sofá estragado, choros e latidos mas nada disso aconteceu! É claro que o bicho é danado para a brincadeira e adora pegar tudo o que não lhe pertence mas ninguém lhe resiste. Desde os três meses que o começámos a treinar e agora, perto dos seis, já faz coisas como sentar, deitar, dar a pata, rebolar, fazer hi5 e outros que agora não se me lembra. É um prazer tê-lo por cá, todos os dias lhe digo que o adoro e que não quero que ele me deixe nunca.


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